
3 Planejamento de pesquisa
O processo de pesquisa se inicia, como vimos, pela colocao do problema, da questo que o pesquisador
quer responder. Para tanto, ele precisar coletar dados, organiz-los e relacion-los, de modo a poder
fazer uma leitura dos mesmos para, finalmente, interpret-los, dando-lhes um significado mais amplo,
relacionando-os com a questo que pretendia responder, e com outras pesquisas que buscaram responder
questes semelhantes. 
Como um processo, cada etapa est intimamente ligada quela que a precede e a sucede. As decises tomadas 
em uma delas tero implicaes para todas as seguintes. Por isso,  preciso muita cautela em cada etapa;  
preciso que sejam bem planejadas, a comear pela coleta de dados. O pesquisador precisa determinar quais 
tipos de dados dever coletar para responder ao seu problema, pois, do contrrio, correr o risco de coletar 
dados desnecessrios, ou deixar de coletar dados importantes.  um processo de antecipao de decises 
sobre como agir, para evitar erros e enganos depois que a pesquisa iniciar. Vejamos um exemplo. 
Suponha que voc esteja interessado em comparar mtodos de ensino para alunos de uma faculdade de 
Psicologia. Mais especificamente, voc est interessado em saber se o mtodo de aula expositiva  mais 
eficiente que o mtodo de discusso em pequenos grupos, no que diz respeito ao desempenho dos alunos. 
Antes de sair a campo,  preciso decidir como e quais dados voc dever coletar; como voc vai medir o 
desempenho de alunos? 
 Pelas notas? Se for, voc dever, provavelmente, consultar os dirios de notas dos professores, por exemplo. 
 Pela qualidade de participao em classe? Ento, voc deveria observar os alunos. 
16 
17 
Mas... observar o qu?  Suas respostas a perguntas do professor?  Observar a qualidade de suas respostas, 
ou a sua freqncia?  um questionrio? Seria vlido e adequado aplic-lo com os alunos? 
A deciso de quais dados coletar e como coletar  dependente 
de respostas a questes como essas.  preciso, portanto, refletir 
sobre essas questes, tomar alguns outros cuidados antes de iniciar 
a coleta dos dados propriamente ditos. A essa etapa, anterior  
coleta, e que vai decidi-la, denomina-se etapa de previso de anlise 
e de coleta ou delineamento de pesquisa. 
O nome previso de anlise  empregado porque, na realidade, ao fazer perguntas como as acima colocadas, 
 preciso que se tenha pensado em que tipo de dados e de relaes entre eles se quer obter; pensar sobre isso 
 antever o que se chama Anlise de Dados, etapa de pesquisa que organiza e relaciona os dados obtidos 
(veremos adiante). Essa etapa s ser bem-sucedida se houver a etapa de previso de anlise. 
Em resumo, a etapa de que trataremos agora planeja as condies tanto para a anlise como para a coleta de 
dados, de modo a obter um caminho adequado para responder ao problema de pesquisa. 
 a segunda etapa no processo de pesquisa e envolve as seguintes tarefas: 
1. na previso de anlise: 
a) estabelecer os fenmenos, as relaes que sero estudadas; 
b) definir os termos contidos no item anterior; 
c) estabelecer as diferentes categorias que as definies acima podem assumir. 
2. na previso de coleta: 
a) quem sero os sujeitos da pesquisa; 
b) qual o instrumento que ser utilizado na coleta de dados; 
c) qual o procedimento que ser seguido. 
Vejamos o que significa cada um desses itens. 
3.1. Previso de anlise 
3. 1. 1. Estabelecer os fenmenos, as relaes que sero estudadas 
Ao propor um problema de pesquisa, um pesquisador j tem para si, ainda que de maneira no muito 
clara, suposies, hipteses sobre os possveis resultados. Discutimos isso quando na pgina 10 
mostrvamos a relao entre a formulao de um problema de pes quis 
e os valores e interesses do pesquisador. Assim, uma pesquisa que busca investigar a relao entre 
desempenho escolar e nvel scio-econmico, por exemplo, j est demonstrando ter como hiptese que o 
desempenho escolar deve estar relacionado com essa varivel  nvel scio-econmico. Outras pesquisas, por 
exemplo, poderiam se interessar pela relao do desempenho escolar com outras variveis, tais como ndices 
de inteligncia (Wechsler, 1955). 
Esta relao, assim estabelecida, norteia os dados a serem coletados: se o interesse do pesquisador  verificar 
como se d a relao entre nvel scio-econmico e desempenho escolar, ele, com certeza, no precisar 
pesquisar sobre a histria gentica de seus sujeitos de pesquisa. 
Nessa etapa de planejamento de pesquisa, o pesquisador deve, ento, esclarecer quais as possveis relaes 
que sero estudadas. 
Emprega-se o termo varivel para se referir aos fenmenos em estudo pelo pesquisador: o desempenho de 
alunos, a opo profissional, a interao me-criana, nvel scio-econmico etc. 
Diz-se que a cincia busca descobrir relaes entre as variveis. Num primeiro momento, ao colocar seu 
problema de pesquisa, levanta hipteses, isto , enunciados provisrios acerca das possveis relaes entre 
variveis. Com a realizao da pesquisa  que o cientista vai descobrir como se do, de fato, as relaes entre 
essas variveis. 
Normalmente, classificam-se as variveis estudadas em variveis dependentes e independentes. A 
varivel independente  a que corresponde ao X e a dependente, ao Y. Em outras palavras, a varivel 
independente (VI)  aquela cujo efeito sobre a outra varivel dependente (VD) se quer analisar. Uma VI  a 
suposta causa da varivel dependente (VD). Vejamos um exemplo: 
Leite (1976) investigou o efeito de um programa de treinamento de professores sobre o desempenho de uma 
professora submetida ao programa e sobre o desempenho de seus alunos. 
O programa de treinamento de professores constitui-se, enLo, na varivel independente desse estudo:  a 
varivel cujo efeito o autor quer analisar; os desempenhos da professora e dos alunos so, por sua vez, as 
variveis dependentes: o autor procurar explic-los pelo programa de treinamento; a varivel dependente , 
em geral, a condio que tentamos explicar (Kerlinger, 1964). 
Assim, o autor desse estudo sups que os desempenhos da professora e dos alunos estivessem relacionados 
com o tipo de treinamento a que a professora  submetida. Ele previu, portanto, que essas variveis estivessem 
relacionadas e isto vai determinar o tipo de dado a ser coletado. 
18 
19 
Gianfaldoni, Rubano e Hbner DOliveira (anais da Xl Reunio Anual da Sociedade de Psicologia de Ribeiro 
Preto, 1981) realizaram uma pesquisa que visava a analisar o desempenho de alunos em funo de um outro 
fator: os comentrios escritos que o professor fazia em seus trabalhos escritos. 
Antes de realizar a coleta de dados, os autores estabelecram as relaes que seriam estudadas, cumprindo o 
primeiro passo da etapa de previso de anlise. 
Pretendiam estudar, dentre outras, as seguintes relaes: 
 a qualidade de todos os trabalhos entregues por alunos do 1.0 ano da Faculdade de Psicologia da Pontifcia 
Universidade Catlica de So Paulo, quando houvesse comentrios escritos em seus trabalhos, com estilo e 
contedos considerados tradicionais (que sero definidos adiante); 
 e idem quando os comentrios fossem com estilo e contedos considerados no tradicionais (definidos 
adiante). 
Ficava claro, assim, que os autores estavam interessados em analisar a qualidade dos trabalhos de alunos (e 
no a quantidade, por exemplo) e relacion-la ao tipo (forma e contedo) de comentrios que o professor fazia 
em seu trabalho. 
Tendo-se estabelecido essas relaes entre variveis, o prximo passo que o pesquisador dever seguir  o de 
definir os termos contidos nessas relaes. 
3. 1 .2. Definir as variveis 
Uma vez que um mesmo termo pode assumir diferentes significados, seja para uma mesma pessoa, em 
diferentes ocasies, seja para pessoas diferentes (Kessen e Mandler, 1974),  importante que o pesquisador 
defina claramente os seus termos. E como qualquer etapa de pesquisa  inter-relacionada com as demais, a 
definio das variveis vai interferir nos resultados da pesquisa. 
Um exemplo tpico dessa interferncia  o que ocorre com a definio de variveis numricas: a quantidade de 
verba, por exemplo. Se quisermos realizar um estudo para analisar a poltica educacional do governo, em termos 
de liberao de verbas para a educao no decorrer dos anos, poderamos definir a varivel quantidade de 
verba destinada  educao tanto em termos de porcentagem, como em termos absolutos. Nesse ltimo caso, 
verificaramos que a quantidade vem aumentando, enquanto no primeiro notaramos que a verba vem 
diminuindo (Cunha, 1979). 
Definir variveis significa, portanto, explicitar como entendemos e medimos os diferentes valores das variveis 
de pesquisa. O 
prprio nome varivel indica que estamos nos referindo a algo que varia, que assume diferentes valores, 
denominaes; por isso precisamos esclarec-los. 
H vrios tipos de definio. 
Uma delas  a definio nominal.  empregada para se convencionar o uso de um termo, em geral novo, 
para o qual se quer dar um significado cientfico.  uma traduo de termos cotidianos para outros mais 
esclarecedores. So estipulaes, freqentemente substituies auxiliares de expresses longas e complexas 
(Kessen e Mandier, 1964). 
Freud, por exemplo, ao introduzir o termo libido em sua teoria psicanaltica, denominou-a toda a energia a 
servio dos instintos de vida; deu ao termo uma definio nominal.  importante esclarecer que por serem 
estpulaes, as definies nominais nunca so verdadeiras ou falsas, corretas ou incorretas. So, em 
geral, um primeiro recurso que os autores utilizam para gerar estudos sobre o conceito (Freud, no caso, 
derivou, desse conceito e de outros, inmeras descries de processos mentais e de aes humanas). 
Um outro tipo de definio empregado na pesquisa psicolgica  a definio operacional. Ela surgiu da 
obra de Bridgman (de 1932), um fsico que estava preocupado com a ambigidade dos termos cientficos, 
criando um princpio denominado operacionismo. O operacionismo procura definir seus conceitos de tal 
maneira que possam ser estabelecidos e aprovados em termos de operaes concretas e passveis de repetio 
pelos observadores independentes. 
Definir um termo operacionalmente significa explicar o que se deve fazer para se encontrar o que est sendo 
definido. semelhante a uma receita de bolo, que nos diz o que fazer para obter o bolo. Vejamos um exemplo: 
Na pesquisa de Gianfaldoni, Rubano e Hbner DOliveira (1981) sobre comentrios em trabalhos escritos de 
alunos da PUC-SP, os autores definiram operacionalrnente sua varivel independente  o comentrio escrito a 
ser feito no trabalho de alunos. 
O comentrio escrito com estilo e forma no tradicionais, por exemplo, era definido da seguinte maneira: 
Deve ser imediato: entregue ao aluno na aula imediatamente aps a aula de entrega do trabalho do aluno. 
Deve ser descritivo: que localize, no trabalho do aluno, os aspectos positivos e/ou negativos (de acordo com 
critrios de correo estabelecidos), descrevendo o que est correto e o que est incorreto; que justifique por 
que est incorreto da seguinte maneira: 
 se est confuso; 
 se est incompleto; 
 se est incompatvel com o texto dado no curso; 
 se est sem fundamentao etc. 
20 
21 
V-se, portanto, uma clara inteno de dar ao leitor o maior nmero de informaes para que se possa 
compreender e reproduzir, da maneira mais precisa possvel, as variveis definidas. 
A maioria dos cientistas concorda, provavelmente, que a definio operacional ajuda a cincia a proporcionar 
conhecimentos comunicveis. No entanto, nem sempre  possvel elaborar definies operacionais, seja pela 
prpria natureza da linguagem, seja pelo tipo de evento que se estuda. Na teoria de Freud, por exemplo, vamos 
encontrar os conceitos de ID, EGO, e SUPEREGO, que, embora contenham correspondentes operacionais que 
ajudam a explic-los, no so, e nem podero ser definidos operacionalmente: para Freud eles so conceitos 
hipotticos criados para explicar um processo interno psicolgico. No so trs entidades que podem ser 
observadas, encontradas fisicamente. Referem-se a um modelo terico criado por Freud como recurso de 
explicao (Hempel, 1974). O tomo foi tambm, durante muitos anos, um conceito hipottico, impossvel de 
ser definido operacionalmente, e at hoje sua definio se d por via indireta, por inferncias. 
 nossa opinio que, embora desejvel, a definio operacional no pode ser vista como parmetro de 
relevncia social e cientfica; em outras palavras, no se pode julgar um conceito como til social e 
cientificamente apenas porque foi definido operacionalmente. Durante muitos anos a inteligncia humana no 
foi definida operacionalmente, e nem por isso deixou de gerar pesquisas a respeito. Muitos termos 
psicanalticos no so, e nem sero, definidos operacionalmente, porque se referem a processos mentais 
internos. No entanto, Freud e seus seguidores realizaram muitas descobertas a partir desses termos, e  
desnecessrio dizer da grande influncia e relevncia da teoria psicanaltica. 
O importante, no que diz respeito s definies de variveis,  no medir esforos para tornar claros e precisos 
os termos que se empregam na pesquisa. 
3. 1 .3. Estabelecer as diferentes categorias que as definies podem assumir 
Retomando o que seja uma varivel,  bom relembrar que ela  algo que varia, que assume diferentes valores. 
Uma vez definida a varivel,  preciso especificar seus valores. 
Quando se estuda variveis como sexo, por exemplo,  simples estabelecer seus valores: feminino e masculino. 
No entanto, variveis mais complexas como nvel de inteligncia ou comentrio escrito 
em trabalhos de alunos, do estudo anteriormente descrito, requerem uma atividade que deve ser minuciosa e 
cuidadosamente realizada, que  a atividade de categorizao: estabelecer as classes de valores para as variveis 
selecionadas. 
Vejamos quais foram as categorias para a varivel comentrio escrito em trabalhos de alunos no estudo descrito na pgina 
21: 
Categoria 1: comentrio escrito com forma e contedo no tradicionais. 
Categoria 2: comentrio escrito com forma e contedo tradicionais. 
Na definio de cada uma dessas categorias da varivel comentrio escrito surgiram subcategorias: 
da categoria 1: comentrio escrito com forma e contedo no tradicionais. 
subcategorias: la  imediato; 
lb  gradual; 
lc  descritivo; 
1 d  padronizado. 
da categoria 2: comentrio escrito com forma e contedo tradicionais. 
subcategorias: 2a 
2b 
2c 
2d 
 com atraso; 
 com acmulo de correes; 
 geral, sem especificar erros e acertos; 
 segundo o estilo pessoal do profess?r. 
Nota-se que essa varivel poderia sugerir muitas categorias e subcategoriaS diferentes de outros 
pesquisadores. Um outro estudo poderia enfatizar outra caracterstica do comentrio escrito: que fosse 
entregue pessoalmente, acrescido de uma interao entre professor e aluno, por acreditar que o contato 
pessoal realasse os aspectos apontados no comentrio escrito. E essas diferenas se do porque o 
estabelecimento de categorias para as variveis, bem como os demais aspectos de previso de anlise, refletem 
os interesses e valores do cientista. 
No exemplo anterior, os autores definiram o comentrio escrito no tradicional como devendo ser imediato, 
dentre outras coisas, porque acreditavam ser esta uma caracterstica importante, que teria um efeito sobre o 
desempenho do aluno. 
Cabe ainda ressaltar dois outros requisitos ou caractersticas que as categorias devem ter: alm de se 
relacionar com o problema, 
22 
23 
devem ser exaustivas (abranger todos os dados coletados) e mutuamente exclusivas. 
Suponhamos, por exemplo, que estejamos interessados em verificar a relao entre renda familiar (em salrios 
mnimos) e ocupao profissional de moradores de um bairro afastado em So Paulo, e que as categorias 
estabelecidas tenham sido as seguintes: 
de 1 a 2 
de 2 a 3 
de 3 a 7 
de 7 a 10. 
Se ao final da coleta de dados forem encontrados sujeitos que ganhem menos de 1 salrio mnimo ou mais de 
10, a categorizao proposta durante a previso de anlise no teria sido exaustiva, uma vez que alguns dados 
no teriam categorias onde pudessem ser includos. 
Ser mutuamente exclusiva  um outro requisito para a elaborao de categoria. Isto significa que um certo dado 
s pode ser colocado em uma e somente uma categoria. 
Uma pesquisa de Arnold Geseil, de 1925, para validar sua escala de desenvolvimento, apresentou uma 
categorizao de dif e- rentes quocientes de desenvolvimento. Elaboramos, a ttulo de exemplo, uma 
categorizao hipottica pra que voc possa analisar o quo mutuamente exclusivas so suas categorias: 
Como voc classificaria uma criana com quociente de desenvolvimento 90: como desenvolvimento normal ou 
atraso srio? Esta categorizao acima colocada no seria ento mutuamente exclusiva, porque o dado QD 90 
poderia ser includo em duas categorias diferentes, confundindo o seu significado. 
H autores que elaboram as categorias aps a coleta de dados (Selltiz e colaboradores, 1965) e no na etapa de 
previso de anuse. E uma questo discutvel. Em nossa opinio,  conveniente e facilitador prev-las, pois 
elas exigem do pesquisador reflexes sobre todas as possibilidades de variao do evento em estudo, e isto 
vai ajud-lo a decidir, posteriormente, de que maneira coletar os dados 
para poder obter, sem vieses, essas variaes. No entanto, o processo de pesquisa  dinmico.  medida que 
se v realizando etapas, decises j tomadas podem ser revistas: muitas categorias previstas podem ser 
eliminadas e outras, no previstas, includas. 
3.1 .4. Tipos de pesquisas 
Uma vez que estamos tratando da etapa de previso de anlise, onde se estabeleceram as relaes que sero 
estudadas, as definies e as categorias das variveis,  importante lembrar que nesta etapa o pesquisador j 
pode (e deve) ter claro que tipo de pesquisa far. Este  determinado, dentre outras coisas, j discutidas nos 
captulos 1 e 2, pela natureza da relao entre as variveiS. 
Segundo Anderson (1978) h trs tipos bsicos de estratgias de pesquisa: a descritiva, a correlacional e a 
experimental ou manipulativa. 
Estudo descritivo 
Realizar um estudo descritivo  observar e registrar eventos que ocorreram no mundo real (Anderson, 1978). 
Underwood e Shaughnessy (apud Anderson, 1978) citam quatro funes principais da estratgia descritiva: 
a) auxilia a identificar fenmenos importantes; 
b) pode sugerir uma varivel independente chave para estudos posteriores; 
c) pode salientar certos comportamentos que deveriam ser registrados, bem como variveis dependentes 
especficas; 
d) pode muitas vezes ser usado para estudar assuntos que no podem ser esclarecidos atravs das estratgias 
manipulativa e correlacional (que veremos adiante). 
Como exemplos da estratgia descritiva esto as observaes naturalsticas e os estudos de caso. 
A etologia  a grande representante da observao naturalstica. Ades (1976) apresenta as seguintes 
caractersticas gerais do estudo etolgico: a) registro de um nmero bastante alto de respostas do organismo 
observado; b) uma nfase maior no aspecto topogrfico (ou formal) das respostas do que sobre o efeito que 
estas tm sobre o meio; e) a importncia atribuda ao estudo do animal dentro do habitat natural ou em 
condies prximas a isso. 
Embora eminentemente centrada no comportamento animal. surgiram muitos estudos etolgicos do 
comportamento infantil, investigando como se d a interao me-criana em situaes varia- 
24 
25 

Q.D
. 


Significado 


110 

90 
desenvolvimento normal 

90 
 
65 
atraso srio 
(debilidade 
mental) 
50 
ou 
menos 
atraso grave 
(imbecilidade) 
25 
ou 
menos 
idiotia 



Estudo experimental (ou manipulativo) 
das, a interao criana-criana etc. (Jones, 1981), sempre preocupado em apresentar a estrutura do comportamento, 1 as 
formas, movimentos e organizaes de espcies e de organismos. 
Outra estratgia para descrever o comportamento e buscar novas informaes  a pesquisa de registro ou estudo de caso. 
Os psiclogos clnicos o fazem freqentemente. 
O mtodo clnico pode ser uma constante fonte geradora de pesquisas e estudos sistemticos. Um psiclogo clnico que 
analisa seus registros de casos sobre impotncia sexual, por exemplo, e descobre que ela aumentou em 100% nos ltimos 
cinco anos, ou ainda quando registra as reaes de seus clientes a diferentes procedimentos teraputicos, forneceu uma 
informao descritiva importante. Essas descobertas ihcentivam pesquisas futuras sobre esses fenmenos. 
Estudo correlaciona! 
Um pesquisador pode querer ir alm da descrio, investigando se h algum tipo de relao entre eventos por ele 
estudados. Um tipo possvel de relao  a correlao: se os eventos analisados variam simultaneamente, no tempo e 
espao, diz-se que eles esto correlacionados. Um dos empregos mais freqentes da estratgia de correlao tem sido o de 
determinar a validade de testes psicolgicos, tais como testes de Q.I. e inventrios de personalidade. O que os autores 
fazem  comparar, vrias vezes, o desempenho de pessoas em testes (ou escalas diferentes), que pretendem medir as 
mesmas habilidades. Se os resultados forem semelhantes, diz-se que h uma alta correlao entre os testes. No se pode, 
entretanto, afirmar que 
o mesmo desempenho  causado por ou em funo de os testes estarem medindo as mesmas habilidades. Existe ainda a 
possibilidade de este mesmo desempenho estar sendo determinado por um terceiro fator que a correlao no leva em 
conta. Para se ter uma relao causal entre os eventos,  necessria a utilizao de uma outra estratgia: a manipulao ou 
experimentao que veremos a seguir. 
1 Para conhecimento e estudo sobre etologia, recomendamos a seguinte leitura: 
Cunha, W. H. A. O estudo etolgico do comportamento animal. Cincia e 
Cultura, 27: 262-268, 1975. 
Jones, B. N. (org.) Estudos Etolgicos do Comportamento da Criana. So 
Paulo, Biblioteca Pioneira de Cincias Sociais, 1981. 
Hinde, R. A. Animal Behaviour. A Synthesis o! Ethology and Comparative 
Psychology. New York, McGraw Hill, 1966. 
Quando se busca estabelecer uma relao funcional 2 entre variveis, a manipulao de uma ou mais variveis 
independentes, realizando o que se denomina experimento,  caminho adequado. Hume (1939) apontou que a causalidade 
exige, como requisito, que dois eventos ocorram invariavelmente juntos, um precedendo o outro, sempre na mesma ordem. 
Para se ter essa situao,  preciso isolar as variveis em estudo daquelas que possam confundir os resultados: 
as variveis denominadas estranhas. A essa manipulao e isolamento de variveis denomina-se controle experimental. 
Seu objetivo  evitar uma contaminao que gere confuso nos resultados, pela presena de fatores potencialmente 
influentes, e no desejados. H vrias tcnicas de controle, e o experimento hipottico- que relataremos a seguir exemplifica 
uma delas. 
Um pesquisador pretendia verificar o efeito do local de estudo sobre o comportamento de estudar. Para isto, utilizou dois 
grupos de dez sujeitos cada. Um defes denominou de grupo controle e o outro, grupo experimental. Observou o 
desempenho dos 20 sujeitos em suas salas de -aula, as quais possuam caractersticas idnticas. Em seguida, em um dos 
grupos (grupo experimental) modificou as caractersticas da sala de aula, segundo noes tericas sobre o local de estudo 
adequado, e continuou a observar os dois grupos quanto ao desempenho escolar (definido pelos autores). Seu objetivo era o 
de verificar se essas modificaes introduzidas na sala melhorariam o desempenho dos alunos. A sala de aula dos alunos do 
outro grupo permanecia inalterada. Como controle de possveis variveis estranhas, os autores selecionaram, para cada um 
dos grupos, alunos de ambos os sexos, igualmente distribudos pelas duas classes. Eram da mesma idade, da mesma cidade 
e da mesma escola. Tomaram, ainda, o cuidado para que uma classe no soubesse das modificaes introduzidas na outra. 
Veja, portanto, que com estes procedimentos experimentais os autores pretendiam estabelecer uma relao funcional entre 
caractersticas de sala de aula e hbitos de estudo adequados. 
2 Expresso que substitui a de relao causal. Esta ltima d a errnea noo de que h uma causa e um efeito. A expresso 
substituta  relao funcional   coerente com a posio do determinismo probabilstico, que postula a existncia de 
mltiplos fatores provavelmente determinantes de um fenmeno. A primeira expresso  relao causal  sugere uma 
afirmao mais simplista e dogmtica acerca da determinao dos eventos. 
Ver Sidman, M. Factics of Scientific Research. New York, Basic Books, 1960. 
26 
27 
Embora estudos descritivos e correlacionais possam sugerir essa relao, a experimentao pretende solidificar 
concluses sobre uma relao funcional. Contudo,  importante ressaltar que tal solidificao de resultados 
no invalida ou subestima as iniciativas de estudos descritivos e correlacionais. So muitas as situaes e 
fenmenos onde a experimentao no s  pouco vivel, como tambm no desejada (em estudos evolutivos, 
que descrevem o desenvolvimento de bebs, por exemplo), ou em situaes onde a manipulao de variveis 
poder trazer problemas ticos. Imagine um estudo que tenha aplicado um procedimento que eliminou o 
comportamento de uma criana autista bater a cabea na parede. Uma das maneiras de se verificar se foi, de 
faro, o procedimento que eliminou tal comportamento seria realizar um experimento que retirasse o 
procedimento uma vez aplicado, e observasse se o bater a cabea na parede reapareceria. Obviamente este 
experimento no seria considerado eticamente correto, pois uma vez que o procedimento resolveu um problema 
da criana, permitir seu reaparecimento a prejudicaria, e teria efeitos no desejados do ponto de vista clnico. 
A metodologia experimental prev, nestes casos, alternativas de delineamentos, que procuram conciliar 
questes ticas com a necessidade de se apresentar uma relao funcional comprovada. No entanto, quando 
h a urgncia de se resolver problemas humanos, ou o risco de se prejudicar o sujeito, a experimentao deve 
ser adiada at que outras tcnicas de pesquisa, eticamente mais adequadas, sejam desenvolvidas. 
H autores, inclusive, que apontam um bom estudo descritivo como pr-requisito para o experimental (Batista, 
1979). 
No  nosso objetivo torn-lo um expert em diferenciar os trs tipos de pesquisa que foram apresentados. O 
que tentamos mostrar- lhe  que so vrias as possibilidades de se relacionar variveis em pesquisa, e que o 
momento para se decidir  a etapa de previso, de planejamento de pesquisa. A opo por um determinado tipo 
levar a caminhos prprios na coleta, anlise e interpretao de dados. 
3 .2. Previso de coleta de dados 
At esta etapa, um pesquisador j deveria ter claro o seguinte: 
seu problema de pesquisa  a questo que ele pretende responder, sua relevncia social e cientfica 
explicitadas; suas variveis dependentes e independentes; as relaes entre variveis que ele pretende 
estabelecer (se um estudo descritivo, correlacional ou experimental); 
ter definidas claramente as variveis e os termos contidos nas variveis; ter explicitados os possveis valores que essas 
variveis apresentam. 
Em outras palavras, o pesquisador deve ter claro a questo que ele pretende responder, e que aspectos dessa questo quer 
analisar. 
Antes, porm, de sair a campo buscando as respostas, resta prever e planejar a coleta de dados propriamente dita: quais 
sero os sujeitos da pesquisa; o instrumento de coleta e o procedimento para se coletar os dados. 
3.2.1. Determinar quem sero os sujeitos de pesquisa 
Ao elaborar o problema de pesquisa, muitas vezes j se explicita, de uma maneira geral, quem sero os sujeitos de 
pesquisa. Veja nos exemplos seguintes: 
 Estudo descritivo de relaes contingenciais no intercmbio verbal de criana com retardo no desenvolvimento da 
fala, com a professora e me, em situao natural (Ramos, 1979). 
 Ensino de respostas gestuais simblicas para crianas se- veramente retardadas (Mattar, 1979). 
Entretanto,  preciso planejar e fornecer outras informaes sobre os sujeitos, tais como: 
 a idade, o sexo, a raa; 
 o nmero de sujeitos que ser necessrio; 
 caractersticas scio-econmico-culturais; 
 provenincia (cidade, escola, instituio etc.); 
e todas as informaes que forem consideradas relevantes, tendo-se em vista o problema de pesquisa. Se uma pesquisa vai 
estudar a linguagem de crianas em idade pr-escolar, analisando o efeito de um mtodo de alfabetizao,  relevante 
descrever, como caractersticas dos sujeitos, que experincias formais e informais elas tiveram, no tocante ao aprendizado 
de linguagem, antes de se iniciar a pesquisa. 
Alm disso,  importante decidir como os sujeitos sero selecionados para a pesquisa (como sero estudados). Se a 
populao- alvo da pesquisa for pequena, pode ser possvel observar cada indivduo; ou se a pesquisa for com um nico 
sujeito (estudo de caso, por exemplo), no h necessidade de seleo; mas se a populao for grande, o pesquisador dever 
selecionar sujeitos. E se ele estiver interessado em extrair, a partir da pesquisa, generalizao para uma populao maior, ele 
dever trabalhar com uma amostra representativa dessa populao. 
28 
29 
H mtodos para se selecionar amostras representativas. MacGuigan (1975) considera que a seleo ao acaso (ao azar, 
aleatria) assegura essa representao, uma vez que a estatstica garante que por esse mtodo h igual probabilidade de se 
selecionar qualquer caracterstica para a amostra, com um equilbrio de todos os aspectos que sero includos na mesma. 
Uma vez que se selecionou a amostra (no caso de estudos com grande nmero de sujeitos)  necessrio dividir a amostra no 
nmero de grupos que sero estudados. E para esta diviso deve haver, tambm, critrios de seleo, de distribuio dos 
sujeitos para cada um dos grupos, para se garantir no apenas que caractersticas relevantes dos sujeitos estudados 
(individualmente ou em grupos) sejam do conhecimento do pesquisador, mas tambm que a sua manifestao durante a 
pesquisa seja prevista e o mais controlada possvel pelos objetivos da pesquisa. 
3.2.2. Determinar qual o instrumento de coleta de dados 
Assim como na biologia se usam microscpios para a observao do objeto de estudo, tambm na pesquisa psicolgica h 
instrumentos de estudo: algo que se interpe entre o pesquisador e o sujeito com o objetivo de obter as informaes 
desejadas  os mtodos de coleta de dados. 
Mais uma vez o pesquisador ter  sua frente um leque de alternativas, cada uma com suas vantagens e desvantagens, 
adequa,es e inadequaes, e ele dever decidir. E, mais uma vez, essa deciso dever ser feita com base em anlise 
cuidadosa, antes de se sair a campo. 
Em 1980, no curso de Metodologia Cientfica da PUC-SP, apresentvamos aos alunos uma categorizao de mtodos de 
coleta de dados, que inclua trs tipos: a observao, o questionamento e o uso de documentos, e fornecamos um 
fluxograma, que indicava os vrios caminhos e critrios para se tomar a deciso, e que apresentamos a seguir, modificado 
sob a forma de um roteiro. 
A primeira pergunta que o pesquisador deve fazer : 
1. Existem dados registrados sobre o evento? 
No caso, por exemplo, do estudo sobre interao me-criana em situaes de almoo. H dados sobre essa interao 
especfica, registrados em algum documento? No, a no ser outros estudos j realizados sobre interao. Como a interao 
 um processo que 
4 Para o estudo das vrias tcnicas de seleo e distribuio de sujeitos, para os diferentes grupos que uma pesquisa utiliza, 
ver MacGuigan (1975). 
est ocorrendo, no h, portanto, registro sobre esse evento que se quer estudar. 
Por outro lado, um estudo que vise a buscar dados sobre a jornada de trabalho de metalrgicos no Estado de 
So Paulo e a distribuio de renda no pas j pode 1ispor de dados, documentados em vrias fontes (uma 
delas, por exemplo,  Camargo, 1976). 
A segunda pergunta que o pesquisador dever fazer : 
2. Se existem dados registrados, o registro est disponvel? 
Se  possvel o acesso aos registros e se eles so vlidos e autnticos, pode-se realizar uma pesquisa com 
documentos. 
Existe uma variedade muito grande de documentos que podem ser de interesse para um pesquisador: 
bibliografia sobre o assunto, registros censitrios, cartoriais, jornais, revistas, atas pblicas etc. 
Qualquer negativa a uma das questes anteriores (e, portanto, frente  impossibilidade de se realizar pesquisa 
por documentos) leva-nos  seguinte questo: 
3. H possibilidade de se presenciar o evento? 
Se sim, ou seja, se podemos notar e registrar eventos, tal como a interao me-criana, desempenho de 
alunos etc., a prxima questo  a seguinte: 
4. Dispe-se de tempo e recursos para se efetuar a observao? 
Por ser uma tarefa lenta e dispendiosa, a observao requer que se analise esse aspecto. O observador tem que 
ficar  merc da ocorrncia e durao do evento a ser estudado, e isto demanda um grande dispndio de tempo 
e recursos financeiros. 
Se h a disposio de tempo e recursos, ento a observao  o mtodo de coleta de dados que poder ser 
utilizado. 
Se o evento no  passvel de observao, tais como sentimentos e opinies de pessoas, por exemplo, ou se 
no se dispe de tempo e recursos, ou, ainda, se a presena do observador altera o evento, existe a seguinte 
possibilidade: 
5. Existem pessoas que possuem a informao? 
Se sim, 
6. As pessoas esto disponveis? 
Se sim, ento  possvel coletar os dados pelo mtodo de questionamento. 
H muitos cuidados a serem tomados no momento em que se utiliza a 
observao como mtodo, e h vrias maneiras de se observar, com tcnicas de 
registro especficas. Para um estudo e aprofundamento a respeito, ver Danna 
e Matos, 1982. 
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Este mtodo envolve o uso de entrevistas, questionrios, testes, escalas, cada um dos quais adequando-se a diferentes 
situaes e interesses. 
As entrevistas, por exemplo, so utilizadas quando se quer obter a informao diretamente do sujeito, quando se quer 
aprofundar questes, perguntando-se ao sujeito a razo, o motivo pelo qual respondeu s questes. Kerlinger (1980) e 
muitos outros autores chegam a considerar uma arte de alta engenharia;  preciso muito treino e experincia para se tornar 
um entrevistador competente. Em geral, utilizam-se guias e roteiros de entrevista para garantir certos aspectos na situao 
de coleta de dados, pois, em se tratando de uma situao ao vivo (com sujeito e pesquisador frente a frente), complexa, 
onde o entrevistador deve ficar atento  criao de um bom relacionamento com o entrevistado e onde este pode ficar  
vontade para estender suas respostas, responder vrias questes ao mesmo tempo,  necessrio que se tenha  mo o 
roteiro, no sentido de evitar que se deixe de fazer questes importantes, ou que se repita aquelas j respondidas etc. 
As entrevistas so muito utilizadas no mtodo clnico, constituindo-se num dos principais instrumentos de trabalho do 
psiclogo. 
Os questionrios so, por sua vez, formas menos diretas do que as entrevistas, e so adequados s situaes onde se quer 
abranger um grande nmero de pessoas em pouco tempo, pois ele permite a aplicao simultnea em certo nmero de 
sujeitos (Yamamoto, Moraes, Scentello, 1977). 
Vejamos um exemplo do emprego de questionrios em pesquisa. Bucher, Ulhoa e Longo (1981) realizaram um estudo com 
questionrio (e testes) em 30 adolescentes, toxicmanos, no sentido de caracteriz-los do ponto de vista psicossocial e 
estrutura de personalidade. Para tal aplicaram um questionrio de dados pessoais e clnicos, com 105 variveis (dados de 
identificao, scio-culturais, antecedentes familiares e pessoais, sintomas anteriores e atuais). O objetivo do questionrio 
foi caracterizar a amostra estudada. Constataram, por exemplo, que a maioria dos toxicmanos considera o relacionamento 
com a famlia insatisfatrio. O questionrio caracterizou ainda vrios sintomas tpicos dos toxicmanos estudados e as 
diferenciaes entre ambos os sexos. 
H vrias decises que devem ser tomadas na construo de um questionrio (ou entrevista); dentre elas esto as seguintes: 
6 Selitiz e colaboradores (1982) discutem vrios pontos a serem levados em conta na realizao de uma entrevista. 
O nmero de perguntas  deve ser limitado, para evitar o cansao do sujeito, alm de nem sempre ele estar  disposio 
do pesquisador por um longo perodo de tempo. 
 O tipo de interao entre sujeito e pesquisador  se as questes so feitas diretamente, face a face, a interao ser 
pessoal (e se denomina entrevista estruturada); se as questes forem impressas, e o informante as responder por escrito, a 
interao ser impessoal. A interao poder, ainda, ser mista: o pesquisador explicar os propsitos da pesquisa e, em 
seguida, fornecer as questes por escrito. 
Essas decises so tomadas com base tanto no problema de pesquisa, como nas caractersticas dos sujeitos. Se estes forem 
crianas ou analfabetos, por exemplo, e se o mtodo escolhido foi o de questionamento, a interao dever ser pessoal 
(entrevista estruturada ou no-estruturada). 
Se, por outro lado, os sujeitos forem adultos alfabetizados, e o problema de pesquisa contiver um tema que possa ser 
constrangedor para o sujeito expressar verbalmente, ou se identificar, ento uma boa alternativa ser o uso de questionrios 
annimos. 
Um outro aspecto importante a ser ressaltado no mtodo de questionamento  o cuidado na elaborao do instrumento. As 
questes devem estar claras para os sujeitos, precisas e sem sugerir ou supor respostas. Antes de se aplicar o instrumento 
 prudente testlo em condies similares s que aparecero na pesquisa. 
Tomadas as decises sobre quais dados coletar, sobre a maneira de colet-los (previso de coleta) e sobre as relaes que 
sero estabelecidas entre os dados para responder ao problema de pesquisa (previso de anlise), e levando-se em conta 
todos os cuidados anteriormente colocados, o pesquisador estaria preparado para ir a campo e obter, finalmente, os dados 
que, pela previso, responderiam ao problema de pesquisa. 
Para discusso aprofundada a esse respeito, ver Selltiz e colaboradores, 
1982. 
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